19 de agosto de 2026
Dino bloqueia R$ 119,2 milhões de Valdemar e suspende emendas sob suspeita
Publicado em 10 de julho de 2026 - 15h58
  1. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e suspendeu a execução de emendas parlamentares investigadas pela Polícia Federal. A decisão, assinada na segunda-feira (6) e tornada pública nesta sexta-feira (10), busca preservar recursos para um eventual ressarcimento aos cofres públicos diante da suspeita de que o dirigente partidário tenha influenciado a destinação de verbas federais mesmo sem exercer mandato no Congresso.
  2. A medida faz parte de um desdobramento da Operação Transparência, aberta para investigar possíveis irregularidades na indicação e execução de emendas. Segundo a PF, mensagens, planilhas e outros documentos encontrados no celular da servidora da Câmara Mariângela Fialek apontam a existência de um sistema paralelo de distribuição de recursos, no qual servidores teriam cadastrado e ajustado indicações atribuídas a Valdemar em nome de parlamentares.
  3. Os investigadores identificaram pelo menos 21 emendas, empenhadas ou pagas entre junho de 2024 e março de 2026, que somam R$ 119.216.703,15. Desse total, aproximadamente R$ 104 milhões já teriam sido pagos. A Polícia Federal apura suspeitas de peculato-desvio e associação criminosa, além de verificar se os deputados registrados como solicitantes sabiam do procedimento ou tiveram os nomes usados sem participação direta.
  4. Entre os diálogos destacados na investigação está uma conversa de agosto de 2025 entre Mariângela e Garigham Amarante Pinto, servidor da liderança do PL apontado como interlocutor de Valdemar. Após informar que teria uma reunião com o dirigente, Garigham perguntou se havia sido fechado o valor destinado ao “presidente Valdemar”. Mariângela respondeu sobre a possibilidade de concentrar os recursos no Turismo, e ele afirmou que R$ 24 milhões seriam suficientes. Em seguida, segundo a PF, foi encaminhada uma relação com municípios, CNPJs e referências ao setor.
  5. Outra mensagem mostra uma servidora da liderança do PL informando que as indicações “do Valdemar” estavam sendo cadastradas. Em uma planilha intitulada “Alteração em Turismo – VCN”, ela afirmou que o presidente do partido havia solicitado a troca de alguns municípios porque eles não conseguiriam executar os recursos. Para os investigadores, os registros reforçam a suspeita de que o dirigente participava da definição dos valores, das áreas e dos beneficiários das emendas.
  6. Ao autorizar a medida, Dino afirmou que a influência atribuída a Valdemar pelos servidores contrasta com a falta de autorização jurídica para que ele disponha do Orçamento da União. O ministro também determinou que a Câmara dos Deputados apresente, no prazo de dez dias, os documentos de tramitação interna das emendas investigadas. A execução das despesas relacionadas aos repasses fica suspensa, estejam elas em fase de empenho, liquidação ou pagamento.
  7. A defesa de Valdemar informou que recebeu a decisão com surpresa e classificou os fundamentos como frágeis. Os advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury afirmaram que o dirigente não obteve vantagem pessoal e que o diálogo de presidentes partidários com integrantes de suas bancadas faz parte da atividade política. Segundo eles, não existem elementos concretos que comprovem fraude, apropriação de recursos ou desvio funcional.
  8. Em declaração à CNN Brasil, Valdemar negou ter indicado as emendas. Ele afirmou que, em casos envolvendo cidades pequenas sem representação em Brasília, o líder partidário atua para encaminhar as demandas. A investigação continua, e o bloqueio de bens é uma medida cautelar, não uma condenação.
Últimas Notícias
Veja Também