21 de maio de 2026
Guilherme Boulos defende fim da escala 6x1 e critica resistência de setores econômicos
Publicado em 12 de maio de 2026 - 13h05

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira (12) que a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 enfrenta forte resistência de setores econômicos porque mexe diretamente com interesses empresariais no país.

Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação, Boulos declarou que grupos contrários à redução da jornada estariam promovendo “terrorismo econômico” para tentar adiar a votação da proposta no Congresso Nacional.

A discussão envolve a possibilidade de adoção de jornadas com dois dias de descanso semanal para trabalhadores, substituindo o modelo tradicional em que o funcionário trabalha seis dias consecutivos para folgar apenas um.

Segundo o ministro, parte dos setores empresariais também tenta estabelecer prazos longos para a implementação das mudanças, proposta que, de acordo com ele, não conta com apoio do governo federal.

Boulos afirmou ainda que o debate sobre redução da jornada de trabalho historicamente enfrenta resistência semelhante à registrada em outros momentos de ampliação de direitos trabalhistas no Brasil, como a criação do salário mínimo, férias remuneradas e do 13º salário.

“O que existe é um terrorismo econômico brutal nessa história”, declarou o ministro ao comparar o cenário atual com debates trabalhistas ocorridos ao longo da história brasileira.

Durante a entrevista, o ministro citou estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, segundo os quais a redução da jornada para 40 horas semanais teria impacto médio de cerca de 1% nos custos operacionais das empresas.

Para o governo, a proposta pode trazer benefícios relacionados à saúde mental dos trabalhadores e ao aumento da produtividade. Boulos destacou o crescimento de casos de esgotamento profissional, ansiedade e depressão ligados ao excesso de trabalho no país.

O ministro também ressaltou que a mudança teria impacto importante na rotina das mulheres, especialmente aquelas que acumulam jornada profissional e tarefas domésticas. Segundo ele, muitas trabalhadoras acabam sem descanso efetivo mesmo nos dias de folga devido às responsabilidades dentro de casa.

A proposta de mudança na escala 6x1 segue em debate no Congresso Nacional e ainda não há definição sobre votação ou implementação das novas regras trabalhistas.

Dourado News

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