- O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu nesta segunda-feira, 13 de julho, por 90 dias, as visitas do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi adotada depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta em que o pai pede união em torno de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
- Moraes também concedeu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Jair Bolsonaro sabia que a mensagem seria publicada. O ministro avalia se a divulgação representou desobediência às condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar.
- A carta manuscrita foi lida por Flávio durante uma transmissão realizada no sábado (11), após uma visita ao pai. No texto, Jair Bolsonaro reafirmou o apoio ao filho mais velho e pediu que aliados deixassem possíveis diferenças de lado para trabalhar pela candidatura do senador na eleição presidencial de outubro.
- Ao conceder a prisão domiciliar temporária a Bolsonaro, em 24 de março, o STF proibiu o ex-presidente de usar celulares, redes sociais ou outros meios de comunicação externa, tanto diretamente quanto por intermédio de terceiros. A Corte advertiu que o descumprimento das condições poderia provocar a revogação do benefício e o retorno ao regime fechado.
- Na decisão desta segunda-feira, Moraes considerou que Flávio usou o direito de visita para divulgar uma manifestação política produzida pelo pai. Por isso, além de interromper os encontros durante três meses, o ministro enviou o caso ao Ministério Público Eleitoral para avaliar se o vídeo contém pedido explícito de voto ou possível propaganda eleitoral antecipada.
- A proibição atinge um período decisivo da campanha presidencial, já que o primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Flávio vinha utilizando os encontros com o pai para discutir articulações políticas e a formação de alianças para a disputa.