19 de agosto de 2026
Nelsinho Trad busca retirar sebo bovino de tarifa dos EUA após produto de MS entrar na lista de taxados
Publicado em 22 de julho de 2026 - 09h59
  1. O senador Nelsinho Trad (PSD) afirmou que segue articulando com autoridades dos Estados Unidos para tentar retirar o sebo bovino da lista de produtos brasileiros atingidos pela tarifa adicional de 25% sobre exportações. O produto tem relevância para Mato Grosso do Sul e foi incluído entre os itens que passaram a sofrer a sobretaxa, enquanto os principais produtos exportados pelo Estado ao mercado norte-americano ficaram de fora da medida.
  2. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, Nelsinho Trad disse que trabalha desde o ano passado para buscar alternativas diante da possibilidade de aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o senador, a ampliação da lista de exceções e a inclusão do ferro-gusa entre os produtos protegidos demonstram que as negociações podem avançar.
  3. “Desde o ano passado, quando o presidente Donald Trump sinalizou a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, tenho trabalhado, à frente da Comissão de Relações Exteriores, para buscar uma solução definitiva para essa questão”, afirmou o parlamentar.
  4. O senador destacou que o sebo bovino é um dos produtos que ainda permanecem fora da lista de exceções e ressaltou a importância do item para a economia sul-mato-grossense. O produto é utilizado principalmente na fabricação de biodiesel, sabões e ração animal.
  5. A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros destinados aos Estados Unidos começou a valer nesta quarta-feira (22), após uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano estão acusações de práticas consideradas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias.
  6. Apesar da nova tarifa, os impactos para Mato Grosso do Sul são considerados limitados. Dados do Observatório da Indústria da Fiems indicam que apenas 2,77% dos produtos vendidos pelo Estado aos Estados Unidos serão atingidos pela cobrança.
  7. Entre janeiro e junho de 2026, Mato Grosso do Sul exportou 437,3 mil toneladas de produtos para o mercado norte-americano, movimentando mais de US$ 370,5 milhões, valor superior a R$ 1,8 bilhão na cotação utilizada no período.
  8. Os três principais produtos exportados pelo Estado aos Estados Unidos ficaram fora da taxação. A carne bovina desossada e congelada, o ferro-gusa fundido bruto e a celulose representam, juntos, cerca de 96% das vendas sul-mato-grossenses ao país.
  9. A carne bovina lidera a pauta de exportações, com participação de 51,4%, seguida pelo ferro-gusa, com 20%, e pela celulose, com 16%. O ferro-gusa foi incluído na lista de exceções na última atualização feita pelo governo norte-americano.
  10. Já o sebo bovino fundido passou a ser o principal produto de Mato Grosso do Sul afetado pela tarifa. No primeiro semestre de 2026, o Estado exportou 9.039 toneladas do insumo aos Estados Unidos, com receita de US$ 9,8 milhões.
  11. Outros produtos também foram incluídos na lista de taxados, mas com participação menor nas vendas externas do Estado, como concentrados de proteínas, maiôs e biquínis de malha femininos, ovos de aves sem casca secos, álcool etílico não desnaturado e colas e adesivos.
  12. No total, os produtos atingidos pela tarifa representaram cerca de US$ 10,2 milhões em exportações de Mato Grosso do Sul no primeiro semestre deste ano.
  13. Mesmo com as mudanças comerciais, os Estados Unidos continuam entre os principais parceiros econômicos do Estado. O país aparece atrás apenas da China, que lidera as compras de produtos sul-mato-grossenses e movimentou cerca de US$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2026.
  14. As exportações totais de Mato Grosso do Sul alcançaram US$ 3,83 bilhões entre janeiro e junho deste ano, superando o resultado registrado no mesmo período de 2025, quando o Estado movimentou US$ 3,78 bilhões.
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