- O senador Nelsinho Trad (PSD) afirmou que segue articulando com autoridades dos Estados Unidos para tentar retirar o sebo bovino da lista de produtos brasileiros atingidos pela tarifa adicional de 25% sobre exportações. O produto tem relevância para Mato Grosso do Sul e foi incluído entre os itens que passaram a sofrer a sobretaxa, enquanto os principais produtos exportados pelo Estado ao mercado norte-americano ficaram de fora da medida.
- Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, Nelsinho Trad disse que trabalha desde o ano passado para buscar alternativas diante da possibilidade de aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o senador, a ampliação da lista de exceções e a inclusão do ferro-gusa entre os produtos protegidos demonstram que as negociações podem avançar.
- “Desde o ano passado, quando o presidente Donald Trump sinalizou a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, tenho trabalhado, à frente da Comissão de Relações Exteriores, para buscar uma solução definitiva para essa questão”, afirmou o parlamentar.
- O senador destacou que o sebo bovino é um dos produtos que ainda permanecem fora da lista de exceções e ressaltou a importância do item para a economia sul-mato-grossense. O produto é utilizado principalmente na fabricação de biodiesel, sabões e ração animal.
- A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros destinados aos Estados Unidos começou a valer nesta quarta-feira (22), após uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano estão acusações de práticas consideradas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias.
- Apesar da nova tarifa, os impactos para Mato Grosso do Sul são considerados limitados. Dados do Observatório da Indústria da Fiems indicam que apenas 2,77% dos produtos vendidos pelo Estado aos Estados Unidos serão atingidos pela cobrança.
- Entre janeiro e junho de 2026, Mato Grosso do Sul exportou 437,3 mil toneladas de produtos para o mercado norte-americano, movimentando mais de US$ 370,5 milhões, valor superior a R$ 1,8 bilhão na cotação utilizada no período.
- Os três principais produtos exportados pelo Estado aos Estados Unidos ficaram fora da taxação. A carne bovina desossada e congelada, o ferro-gusa fundido bruto e a celulose representam, juntos, cerca de 96% das vendas sul-mato-grossenses ao país.
- A carne bovina lidera a pauta de exportações, com participação de 51,4%, seguida pelo ferro-gusa, com 20%, e pela celulose, com 16%. O ferro-gusa foi incluído na lista de exceções na última atualização feita pelo governo norte-americano.
- Já o sebo bovino fundido passou a ser o principal produto de Mato Grosso do Sul afetado pela tarifa. No primeiro semestre de 2026, o Estado exportou 9.039 toneladas do insumo aos Estados Unidos, com receita de US$ 9,8 milhões.
- Outros produtos também foram incluídos na lista de taxados, mas com participação menor nas vendas externas do Estado, como concentrados de proteínas, maiôs e biquínis de malha femininos, ovos de aves sem casca secos, álcool etílico não desnaturado e colas e adesivos.
- No total, os produtos atingidos pela tarifa representaram cerca de US$ 10,2 milhões em exportações de Mato Grosso do Sul no primeiro semestre deste ano.
- Mesmo com as mudanças comerciais, os Estados Unidos continuam entre os principais parceiros econômicos do Estado. O país aparece atrás apenas da China, que lidera as compras de produtos sul-mato-grossenses e movimentou cerca de US$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2026.
- As exportações totais de Mato Grosso do Sul alcançaram US$ 3,83 bilhões entre janeiro e junho deste ano, superando o resultado registrado no mesmo período de 2025, quando o Estado movimentou US$ 3,78 bilhões.