- O município de Dourados desembolsou cerca de R$ 13 milhões em contratos com a Editora Avante, empresa investigada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na Operação Gutenberg, deflagrada no último dia 7 de julho para apurar um suposto esquema de fraudes em contratações públicas e desvio de recursos. Os contratos foram firmados durante a gestão do ex-prefeito Alan Guedes, nos anos de 2023 e 2024. Até o momento, porém, o Gaeco não informou se ex-gestores da administração municipal são investigados na operação.
- Conforme as investigações, Dourados está entre os 17 municípios de Mato Grosso do Sul citados no relatório do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). O primeiro contrato foi celebrado em setembro de 2023, no valor de aproximadamente R$ 4,3 milhões, enquanto o segundo foi firmado em julho de 2024 por cerca de R$ 8,6 milhões, totalizando aproximadamente R$ 13 milhões destinados à aquisição de kits pedagógicos paradidáticos.
- Os materiais adquiridos incluíam coleções voltadas à educação infantil e à conscientização sobre temas como alimentação saudável, meio ambiente, combate às drogas, obesidade infantil, saúde bucal e prevenção ao mosquito transmissor de doenças. Segundo o relatório do Gaeco, as contratações ocorreram por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade que agora é alvo de questionamentos por parte do Ministério Público.
- A Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa acusada de desviar pelo menos R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos para fornecimento de livros paradidáticos. De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizava servidores públicos supostamente corrompidos para direcionar contratações e, após o recebimento dos recursos, promovia a pulverização dos valores entre integrantes da organização e terceiros para ocultar a origem do dinheiro. As apurações envolvem suspeitas de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.
- Outro ponto destacado pelo Gaeco é que o esquema investigado teria utilizado a influência de servidores ligados à área da saúde pública para condicionar a liberação de exames, cirurgias e vagas hospitalares à aquisição dos livros comercializados pela empresa investigada. A suspeita é de que esses favorecimentos fossem usados como mecanismo para ampliar os contratos firmados com prefeituras sul-mato-grossenses.
- Apesar dos contratos firmados durante a administração anterior, não há, até o momento, informação oficial de que Alan Guedes ou outros ex-gestores de Dourados sejam investigados ou tenham sido denunciados na Operação Gutenberg. A atual gestão do prefeito Marçal Filho informou que não realizou compras da Editora Avante e afirmou estar colaborando com o Ministério Público, fornecendo a documentação solicitada durante as investigações
Operação Gutenberg: Dourados desembolsou R$ 13 milhões com editora investigada durante gestão Alan Guedes
Publicado em 17 de julho de 2026 - 07h44
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