18 de julho de 2026
Operação Gutenberg: Dourados desembolsou R$ 13 milhões com editora investigada durante gestão Alan Guedes
Publicado em 17 de julho de 2026 - 07h44
  1. O município de Dourados desembolsou cerca de R$ 13 milhões em contratos com a Editora Avante, empresa investigada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na Operação Gutenberg, deflagrada no último dia 7 de julho para apurar um suposto esquema de fraudes em contratações públicas e desvio de recursos. Os contratos foram firmados durante a gestão do ex-prefeito Alan Guedes, nos anos de 2023 e 2024. Até o momento, porém, o Gaeco não informou se ex-gestores da administração municipal são investigados na operação.
  2. Conforme as investigações, Dourados está entre os 17 municípios de Mato Grosso do Sul citados no relatório do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). O primeiro contrato foi celebrado em setembro de 2023, no valor de aproximadamente R$ 4,3 milhões, enquanto o segundo foi firmado em julho de 2024 por cerca de R$ 8,6 milhões, totalizando aproximadamente R$ 13 milhões destinados à aquisição de kits pedagógicos paradidáticos.
  3. Os materiais adquiridos incluíam coleções voltadas à educação infantil e à conscientização sobre temas como alimentação saudável, meio ambiente, combate às drogas, obesidade infantil, saúde bucal e prevenção ao mosquito transmissor de doenças. Segundo o relatório do Gaeco, as contratações ocorreram por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade que agora é alvo de questionamentos por parte do Ministério Público.
  4. A Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa acusada de desviar pelo menos R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de contratos para fornecimento de livros paradidáticos. De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizava servidores públicos supostamente corrompidos para direcionar contratações e, após o recebimento dos recursos, promovia a pulverização dos valores entre integrantes da organização e terceiros para ocultar a origem do dinheiro. As apurações envolvem suspeitas de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.
  5. Outro ponto destacado pelo Gaeco é que o esquema investigado teria utilizado a influência de servidores ligados à área da saúde pública para condicionar a liberação de exames, cirurgias e vagas hospitalares à aquisição dos livros comercializados pela empresa investigada. A suspeita é de que esses favorecimentos fossem usados como mecanismo para ampliar os contratos firmados com prefeituras sul-mato-grossenses.
  6. Apesar dos contratos firmados durante a administração anterior, não há, até o momento, informação oficial de que Alan Guedes ou outros ex-gestores de Dourados sejam investigados ou tenham sido denunciados na Operação Gutenberg. A atual gestão do prefeito Marçal Filho informou que não realizou compras da Editora Avante e afirmou estar colaborando com o Ministério Público, fornecendo a documentação solicitada durante as investigações
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