- O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito policial para investigar a possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em supostos crimes relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
- A apuração envolve o repasse de R$ 61 milhões destinado à produção do longa, valor que teria sido disponibilizado pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Segundo a investigação, a suspeita é de que os recursos tenham sido direcionados a pedido do senador, que teria sido incluído formalmente no procedimento em julho.
- O inquérito também mira o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, apontado pelos investigadores como possível beneficiário de parte dos valores envolvidos na operação. A PF apura a eventual prática de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da obra cinematográfica.
- O pedido da Polícia Federal foi apresentado em um procedimento sigiloso vinculado a uma investigação maior, relacionada à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e corrupção envolvendo Daniel Vorcaro e integrantes de seu grupo empresarial.
- A existência da investigação contra Flávio Bolsonaro veio a público após André Mendonça retirar o sigilo de documentos de procedimentos derivados da operação. Apesar disso, o conteúdo completo do inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse permanece protegido por sigilo judicial, segundo determinação do ministro.
- A decisão de liberar parte dos documentos ocorreu após solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que pediu maior transparência nas investigações envolvendo o Banco Master, mantendo restritos apenas os dados relacionados a diligências que dependam de sigilo para não comprometer a apuração.
- Na quarta-feira (11), Mendonça também homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado como responsável por supostos repasses em dinheiro vivo ligados ao projeto cinematográfico.
- A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou destaque após a divulgação de áudios pelo portal The Intercept Brasil, nos quais o senador aparece solicitando recursos para a produção do filme. Flávio não negou a autenticidade das gravações e afirmou que não haveria irregularidade em buscar financiamento privado para uma produção sobre seu pai.
- A defesa do senador ainda não havia se manifestado oficialmente até a publicação das informações.