8 de julho de 2026
Indústria brasileira vai aos EUA contra tarifa de 25% e alerta para impacto em empresas americanas
Publicado em 08 de julho de 2026 - 07h26
  1. Representantes da indústria brasileira defenderam, durante audiências públicas nos Estados Unidos, a retirada da proposta de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, em uma disputa comercial que pode encarecer cadeias produtivas americanas e afetar exportadores brasileiros de máquinas, café solúvel, mel, arroz e etanol.
  2. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq, pediu isenção para o setor e afirmou que a sobretaxa pode atingir diretamente empresas dos próprios Estados Unidos. Segundo a entidade, boa parte das exportações brasileiras de máquinas ocorre em operações entre companhias do mesmo grupo, o que significa que a cobrança elevaria custos dentro da cadeia produtiva americana.
  3. O mercado dos Estados Unidos responde por cerca de 25% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2025, o setor exportou US$ 13,2 bilhões, segundo dados apresentados pela Abimaq. A entidade também afirmou que 82% dessas vendas são operações intercompany, ou seja, feitas entre empresas ligadas ao mesmo grupo econômico.
  4. Além da indústria de máquinas, representantes dos setores de café solúvel, mel, arroz e etanol também defenderam a retirada da sobretaxa. O setor cafeeiro destacou o peso do Brasil no abastecimento do mercado americano, enquanto exportadores de mel alertaram que a medida pode prejudicar empresas dos dois países e pressionar preços ao consumidor.
  5. A proposta de tarifa faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O órgão alega práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
  6. A decisão final sobre a aplicação ou revisão das tarifas deve sair até 15 de julho. Até lá, setores brasileiros tentam ampliar a lista de exceções e convencer o governo americano de que a medida pode causar prejuízos também à economia dos Estados Unidos.
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