- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do Ozivy, a primeira versão nacional de medicamento à base de semaglutida no Brasil após o fim da exclusividade de patente da farmacêutica Novo Nordisk, encerrada em março de 2026. A decisão foi publicada nesta terça‑feira (26) e representa um marco na concorrência no mercado dos chamados tratamentos com semaglutida, substância já utilizada em remédios como Ozempic (indicado para diabetes tipo 2) e Wegovy (apropriado ao tratamento de obesidade).
- O Ozivy, produzido pela farmacêutica EMS, foi registrado como “medicamento novo” por meio de um processo regulatório específico chamado desenvolvimento abreviado, que permite o registro de produtos baseados em substâncias já conhecidas após comprovação de qualidade, eficácia e segurança junto à Anvisa. A autorização é válida por dez anos, até junho de 2036, e o medicamento é apresentado em solução injetável para aplicação subcutânea, com cartuchos e canetas aplicadoras.
- A semaglutida é um agonista do receptor GLP‑1, uma classe de moléculas que atua no controle glicêmico em pessoas com diabetes e também influencia a saciedade, razão pela qual medicamentos com esse princípio ativo ganharam popularidade no tratamento da obesidade nos últimos anos. A aprovação do primeiro produto nacional após o fim da patente abre espaço para que outras farmacêuticas disputem esse mercado farmacêutico bilionário no país.
- A expiração da patente da Novo Nordisk em março deste ano havia sido antecipada por especialistas e provocou movimentação de diversas empresas brasileiras interessadas em desenvolver seus próprios medicamentos à base de semaglutida. Antes da autorização do Ozivy, a Anvisa havia recebido e analisado solicitações, mas alguns pedidos foram negados por falhas na documentação ou na comprovação dos requisitos regulatórios.
- Embora a Anvisa já tenha autorizado o registro, a EMS ainda não divulgou detalhes oficiais sobre preços, datas de lançamento ou início da distribuição nas farmácias. O impacto final no acesso ao tratamento e nos preços dos medicamentos com semaglutida dependerá dessas definições, do avanço de outras versões nacionais aprovadas e da competitividade que surgir no mercado após o fim da exclusividade da patente da substância.