21 de maio de 2026
Chikungunya avança em MS: 11 cidades já vivem epidemia e casos podem aumentar até maio
Publicado em 27 de março de 2026 - 09h40

Onze municípios de Mato Grosso do Sul já apresentam mais de 300 casos suspeitos de chikungunya por 100 mil habitantes, índice que caracteriza situação de epidemia. De acordo com o infectologista Júlio Croda, há risco de avanço da doença principalmente na região do cone-sul do Estado, além da possibilidade de aumento no número de mortes nas próximas semanas.

O Estado soma atualmente 3.058 casos prováveis e seis óbitos confirmados. Cinco das vítimas eram da Reserva Indígena de Dourados — entre elas, dois bebês, um de três meses e outro de apenas um mês de vida. O sexto caso foi registrado no município de Bonito. A incidência estadual já chega a 110,9 casos por 100 mil habitantes, número mais de dez vezes superior à média nacional, que é de 9,6.

Segundo o site Mídia Max, áreas com mais de 300 casos por 100 mil habitantes já podem ser classificadas como em situação epidêmica. “Para chikungunya, já podemos falar em epidemia em algumas cidades”, explicou o especialista.

Apesar de Dourados concentrar o maior número de casos graves e mortes, a taxa geral do município ainda não ultrapassa o nível epidêmico. No entanto, a situação é crítica dentro da reserva indígena, onde a incidência ultrapassa 7,7 mil casos por 100 mil habitantes, evidenciando que o surto está concentrado nessas comunidades.

Além da reserva, cidades como Fátima do Sul, Jardim e Sete Quedas apresentam índices extremamente elevados, com mais de mil casos por 100 mil habitantes. Outros municípios como Vicentina, Selvíria, Corumbá, Antônio João, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Água Clara e Douradina também já atingiram nível de epidemia.

A tendência, segundo Croda, é de que os casos continuem aumentando pelo menos até o fim de abril ou início de maio, período em que as condições climáticas — como calor e chuvas — favorecem a proliferação do mosquito transmissor. “Ainda teremos um mês de crescimento nos casos, internações e óbitos”, alertou.

Dados recentes apontam ainda que o sistema de saúde já sente os impactos. Em Dourados, por exemplo, a taxa de ocupação hospitalar chegou a 89%, com momentos próximos de colapso nos últimos dias.

Apesar da gravidade em algumas regiões, especialistas avaliam que não há, até o momento, sinais de que o surto vá atingir todo o Estado de forma generalizada. Em Campo Grande, por exemplo, a presença do método Wolbachia tem ajudado a conter a disseminação da doença.

Mesmo com uma aparente queda nos números mais recentes, autoridades reforçam que os dados devem ser analisados com cautela, já que há atraso nas notificações, o que pode mascarar o cenário real da doença no Estado.
Folhadedourados

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