21 de maio de 2026
De suicídio a feminicídio: as provas que derrubaram a versão do tenente-coronel
Publicado em 18 de março de 2026 - 14h11

Um mês após a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, o caso ganhou novos desdobramentos e passou a ser tratado como feminicídio. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, companheiro da vítima, foi preso preventivamente nesta terça-feira (18), após ser indiciado também por fraude processual.

A policial foi encontrada com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo.

O dia do crime

Segundo a investigação, uma vizinha ouviu um disparo por volta das 7h28. O oficial acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) apenas às 7h57.

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, versão contestada desde o início pela família da vítima. Posteriormente, a ocorrência foi reclassificada como morte suspeita.

O tenente-coronel afirmou que estava no banho no momento do disparo. No entanto, socorristas relataram que ele estava seco e que não havia sinais recentes de uso do chuveiro.

Contradições e suspeitas

Outros elementos levantaram dúvidas sobre a versão apresentada:

A arma foi encontrada na mão da vítima, em posição considerada incomum em casos de suicídio

O oficial teria feito contato com um desembargador antes da chegada da perícia

Ainda no dia do crime, policiais realizaram limpeza no apartamento

O que diz a perícia

Os laudos periciais reforçaram as suspeitas de violência:

O tiro foi disparado com a arma encostada na cabeça

A trajetória do projétil foi de baixo para cima

Foram identificadas lesões no rosto e pescoço, compatíveis com pressão de dedos e unhas

Há indícios de que a vítima pode ter sido agredida antes do disparo

Além disso:

Exames não detectaram resíduos de pólvora nas mãos de nenhum dos dois

Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro, contrariando a versão apresentada

Diante das inconsistências, o corpo foi exumado para novos exames.

Relacionamento conturbado

Depoimentos da família indicam que a policial vivia um relacionamento abusivo. Segundo relatos, o companheiro era controlador e impunha restrições ao comportamento da vítima .

Situação atual do caso

A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o tenente-coronel por:

Feminicídio

Fraude processual

Ele foi preso em São José dos Campos e deve permanecer no Presídio Militar Romão Gomes, à disposição da Justiça.

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