10 de junho de 2026
Violência contra mulheres cresce em Mato Grosso do Sul, aponta estudo estadual
Publicado em 27 de maio de 2026 - 10h32
  1. Um levantamento recente mostra que, apesar de uma tendência de queda nos homicídios de mulheres em nível nacional, o estado de Mato Grosso do Sul registrou aumento nos assassinatos de mulheres entre 2023 e 2024, contrariando o quadro observado em outras unidades da Federação. Dados compartilhados por fontes oficiais e compilados pelo Atlas da Violência — pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) — indicam que o estado vive um crescimento preocupante nessa modalidade de crime, que inclui assassinatos com motivação de gênero e mortes violentas de mulheres em geral.
  2. Segundo registros da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), o número de homicídios contra mulheres passou de 30 em 2023 para 35 em 2024, representando um aumento de cerca de 16,7%. Apesar de tratar-se de dados ainda menores em termos absolutos do que a média nacional, que apresenta tendência geral de redução, o acréscimo estadual chama atenção de especialistas por ultrapassar a média brasileira e refletir desafios locais na prevenção e no enfrentamento da violência letal contra mulheres.
  3. A análise mais ampla do Atlas da Violência 2026, embora destaque o Brasil com a menor taxa de homicídios de mulheres desde 2014 — com 3.642 assassinatos em 2024 e queda de 6,7% em relação ao ano anterior —, também aponta que crimes cometidos dentro de casa e em contextos de violência doméstica, muitas vezes classificados como feminicídio, não tiveram redução proporcional ao resto dos homicídios, mantendo um quadro de estabilidade que preocupa autoridades de segurança pública e organizações que atuam no combate à violência de gênero.
  4. Especialistas em segurança pública ressaltam que a violência letal contra mulheres envolve múltiplos fatores, entre eles desigualdade de gênero, fragilidades na proteção à vítima e desafios no fortalecimento das políticas de prevenção e atendimento. A tipificação do feminicídio no Brasil, estabelecida pela Lei 13.104/2015, reconhece como crime hediondo o homicídio motivado pela condição de sexo feminino, especialmente quando envolve violência doméstica ou discriminatória.
  5. Autoridades estaduais e entidades da sociedade civil afirmam que os números demandam reforço nas ações integradas de segurança, proteção social e políticas de enfrentamento da violência, além de maior investimento em equipamentos e capacitação de profissionais que lidam diretamente com casos de agressões e ameaça à vida de mulheres. A meta é implantar medidas que revertam essa tendência e reduzam de forma mais consistente os indicadores de violência letal de gênero em Mato Grosso do Sul nos próximos anos.
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