- A Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), revelou um suposto esquema de fraudes milionárias em contratos de tapa-buracos e manutenção de vias públicas em Campo Grande. As investigações apontam que o grupo manipulava medições de serviços e autorizava pagamentos por obras que, segundo o MP, não eram executadas integralmente.
- De acordo com o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), responsável pela investigação em conjunto com o Gaeco, a organização criminosa atuava dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), envolvendo servidores públicos, empresários e ex-integrantes da administração municipal.
- Ao todo, sete pessoas foram presas preventivamente durante a operação, entre elas o ex-secretário municipal de Infraestrutura e ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese. Também foram alvos servidores ligados ao setor de tapa-buracos e empresários ligados à Construtora Rial, empresa investigada no esquema.
- Segundo o MPMS, o suposto esquema funcionava por meio da falsificação ou manipulação de medições técnicas dos serviços realizados nas ruas da Capital. Com isso, pagamentos públicos eram liberados mesmo sem a execução completa das obras contratadas. As irregularidades teriam permitido o desvio de recursos públicos e contribuído diretamente para a má qualidade do asfalto em diversas regiões da cidade.
- As investigações apontam ainda que, entre 2018 e 2025, a empresa alvo da operação acumulou contratos e aditivos que somam mais de R$ 113 milhões junto à Prefeitura de Campo Grande.
- Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os investigadores encontraram cerca de R$ 429 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados aos investigados. Parte do valor foi localizada na residência de um servidor público e outra parte em endereço ligado a empresários envolvidos no caso.
- O MPMS afirma que a investigação também apura crimes contra a administração pública, enriquecimento ilícito e organização criminosa. O caso segue sob sigilo judicial.
- Após a operação, a Prefeitura de Campo Grande informou que os contratos investigados abrangem gestões anteriores e afirmou estar colaborando com as autoridades. O município também anunciou a exoneração dos servidores envolvidos para evitar prejuízos à continuidade dos serviços urbanos.
G1 Noticias