Oficializada no fim de semana, a escolha de José Guimarães como novo ministro de Relações Institucionais tende a render frutos em pelo menos duas frentes, na avaliação de pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em primeiro lugar, a escolha garante a continuidade na relação com o Congresso, tendo sido bem recebida na cúpula da Câmara dos Deputados e no Centrão.
Segundo, a indicação fortalece a ala mais pragmática do PT, acalmando a disputa interna no partido na largada do ano eleitoral.
Guimarães assume com uma de suas principais missões destravar a pauta de Lula no Congresso. Embora a campanha já esteja na rua, o Planalto ainda precisa votar medidas estratégicas para alavancar a popularidade do presidente, como o fim da escala 6x1 e a regulamentação do trabalho por aplicativo.
Ficará a cargo do novo ministro também a liberação de emendas parlamentares, peça-chave da relação com aliados no eleitoral. Na nova função, Guimarães também terá a tarefa de abrir caminho para a aprovação do nome de Jorge Messias no Senado, escolhido para preencher a cadeira que está vaga no Supremo Tribunal Federal.
Tido como um dos mais fiéis escudeiros de Lula no Congresso, Guimarães tornou-se nos últimos anos um dos maiores líderes da ala considerada mais pragmática no PT. Irmão do ex-presidente do PT José Genoino, ele é bastante próximo da antecessora Gleisi Hoffmann e teve o nome ventilado diversas vezes para ocupar uma cadeira na Esplanada.
Guimarães já participa ativamente há tempos do trabalho de articulação política do governo na Câmara, na posição de líder do governo – ocupada por ele até este fim de semana. Mesmo antes de assumir a liderança, ele já contribuía na construção do relacionamento do PT e do governo com bancadas aliadas. Ele é visto internamente como um bom interlocutor junto ao Centrão, por exemplo.
Com a indicação, Lula tira Guimarães da disputa eleitoral deste ano. O deputado vinha rondando uma vaga no Senado pelo Ceará. Com o novo ministro fora do jogo, fica aberto o caminho para uma aliança com o MDB no Estado, liberando uma vaga na chapa encabeçada por Elmano de Freitas. Um nome cotado para a cadeira é Eunício Oliveira, aliado histórico de Lula no Estado.
A decisão também facilita o diálogo com Cid Gomes, que está no PSD e segue rompido com o irmão e pré-candidato Ciro Gomes (PSDB).
CNN